segunda-feira, 17 de março de 2008

Tino

Há truques na política que nunca se percebe bem porque são usados tão evidentes são que parecem infantis. Dois exemplos: a cimeira das Lages. Andam a direita e a esquerda tão excitadas em atirar a culpa duma para a outra. A direita que foi um serviço pedido pelos nossos aliados em perigo que sublinhou o valor geoestratégico dos Açores. A esquerda que a guerra que saiu dali é um crime e portanto a cimeira foi um erro etc. Digo que é truque porque toda a gente percebe que foram os poderosos americanos quem mandou fazer o encontro (vai lá saber-se porquê). Tão poderosos que as outras potências envolvidas não têm poder para dizer que isto aqui não quer ver-se envolvido em terrorismos para os quais não contribuímos e que, a fazer-se, deveria ter sido na América onde a luta germinou. Connosco e com os espanhóis foi o come e cala-te. Com os ingleses foi obedecer e calar. Outro exemplo: o governo de Lisboa foi obrigado a tomar uma série de medidas impopulares que tentam pôr travão às quatro rodas a um deficit assustador, resultante dum povo pelintra querer e gastar mais do que ganha e teimar em viver muito acima das suas possibilidades. Qual é a surpresa? Que queriam que o governo fizesse? Que deixasse isto cair na bancarrota e no salve-se quem puder? Alguém tinha que pôr a coisa no lugar. O PS foi o primeiro que teve maioria absoluta e portanto aquele que podia e devia fazê-lo sem temer dissoluções. Merece respeito e ajuda, não contestações irresponsáveis. Haja tino.
Carlos Melo Bento
2008-03-17

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