domingo, 26 de julho de 2009

Entrega de Prémios a Regina Bolarinho e a Pedro Sousa


Senhor Presidente da Câmara de Vila Franca do Campo
Senhora Presidente da Câmara de Ponta Delgada
Senhor Almirante Comandante Operacional dos Açores
Senhor Almirante Comandante da Zona Marítima dos Açores
Excelentíssimas autoridades
Minhas senhoras e meus senhores


Quando o bom Deus nos dá o privilégio de, em nossa vida, podermos comemorar o centenário de quem nos gerou, cumprir o Seu mandamento, de honrar pai e mãe, toma um significado porventura mais intenso e o êxtase que se sente não tem paralelo. Fazê-lo, rodeado de amigos, constitui porventura momento único na vida.

Quando informei o senhor Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, Rui Carvalho e Melo da nossa intenção, foi com alvoroço que a Família recebeu a pronta anuência a esta modesta iniciativa. Já não bastava ele ter realizado, como autarca dinâmico e amante da sua terra, uma obra notabilíssima como também foi o primeiro governante que concretizou dois importantes sonhos das gerações e gerações que, antes dele, foram impotentes para o fazer. Toda a minha vida ouvi de meu pai, vilafranquense militante e apaixonado, que a primeira capital de S. Miguel tinha de ter um porto de pesca condigno, e primeiro que todas as outras terras. O Marquês de Pombal rasgara o projecto do porto, ligando a Vila ao Ilhéu porque o achou megalómano. A geração de oitocentos, apesar do seu prestígio e influência, apenas conseguiu um arremedo de alicerce que ali pairou décadas como prova da indiferença geral. Rui Melo, habilmente, harmonizou as forças normalmente antagónicas e realizou o sonho de tantos, entrando na história por direito próprio e agigantando-se perante os demais, com uma obra que se dizia impossível.

O outro sonho é o de elevar a Vila a cidade. Nunca esta terra esteve tão perto de merecer esse galardão, tantas têm sido as obras realizadas durante o consulado de Rui Melo. Vila Franca está irreconhecível e prenhe de actividade e dinamismo. Parece outra. Essa transformação ocorreu durante o seu consulado e o seu nome jamais poderá ser divorciado desse passo gigantesco. Bem-haja senhor presidente.

Chegou porém o momento da cultura porque nada de durável e de belo se faz sem ela, a não ser por sorte. As belas artes são a manifestação do bom gosto e atingem a alma pelos sentidos, maravilhando-a. Daquelas, a pintura é princesa. E desde que essa arte libertou as cores das formas existentes e clássicas, como que a pintura ganhou foros de liberdade e os pintores expressaram-se de maneiras estranhas. O pintor que ides contemplar inventou o pincelismo que ele traduz na busca da ideia através da cor. Formado em filosofia é natural que procure as razões das razões. Fazê-lo pintando é tarefa incrível. Costuma pintar o mesmo tema vezes sem conta, até que a ideia que procura fique desenhada na feição ou no objecto ou no conjunto. Os quadros aqui expostos são o produto dessa actividade que desenvolve obcessivamente há anos e sempre insatisfeito. Oxalá que esta mostra consiga realizar o favor que a Câmara de Vila Franca dá às manifestações do espírito, porque nem só de pão vive o homem.

Por isso também, aproveitámos este momento para galardoar aqueles que pela excelência do seu trabalho atingiram os lugares cimeiros no estabelecimento de ensino de maior grau desta Vila. Aproveitámos o facto de nosso pai ter sido aqui aluno do ensino secundário e depois em Ponta Delgada dedicado professor de matemática desse mesmo ensino e, criámos um prémio com o seu nome, que foi atribuído ao aluno mais bem classificado do 12.º ano em matemática. Este ano vai recebê-lo, REGINA MARIA DE PAIVA BOLARINHO que o arrebatou com a média final de 17 valores. Embora nascida no Hospital de S. José de Ponta Delgada, em 1991, a Regina é filha de vilafranquenses e passou toda a sua vida nesta Vila onde frequentou a escola primária dos professores Graça Amaral e João Esteves que lhe marcaram o ritmo escolar para sempre. Depois, na Escola Secundária da Vila, foi aluna de diversos mestres de que ela própria destaca pela influência que nela tiveram, o casal Paula e Fernando Vieira em filosofia e psicologia. Mas a professora de matemática seria Maria da Graça Bettencourt Gata que lhe vai dar o impulso inicial para alcançar o curso de engenharia civil que pretende tirar. Registo que em 2008, a Regina já recebeu o prémio da melhor aluna do 11.º ano da sua escola e este ano lá foi com professores e colegas em férias para a Cote d’Azur, Barcelona e Lisboa. Peço ao senhor presidente da Câmara que lhe entregue o diploma que regista o justo galardão que recebeu e que foi composto nas oficinas desse vilafranquense de primeira água que é Valentino Henriques, a quem aproveito para agradecer a amizade e a prontidão com que sempre nos atendeu e serviu. À minha irmã, Maria da Graça peço que entregue à Regina o prémio que lhe atribuímos.

O outro galardoado é Pedro Miguel Furtado Sousa. Filho de Ponta Garça, onde nasceu em 1990, ali frequentou a Escola Professor José Jacinto Botelho, onde Manuela Lopes lhe forjou a alma de estudante nos moldes da sua têmpera bondosa de professora e mestra. Na escola secundária da Vila, vai deliciar-se com as aulas de Paula Vieira que muito o influenciaram e, naturalmente, com as do professor de história, André Moura, onde alcançou o primeiro lugar entre os seus pares. Espera-se agora que essa preparação lhe sirva de bom apoio na carreira que pretende seguir na Academia Militar, e talvez seja de bom augúrio para ele a presença de tantos oficiais superiores nesta cerimónia…E por ser ele o melhor aluno de História do 12.º ano de Vila Franca neste ano de 2009, é que a Fundação Sousa d’Oliveira, cujo fundador introduziu a arqueologia científica nos Açores, precisamente aqui em Vila Franca onde estão soterrados com tudo o que tinham, milhares de vilafranquenses que nessa fatídica madrugada de 1522 perderam a vida, lhe resolveu dar o prémio do seu fundador. É preciso inventariar os lugares importantes da Vila velha fundada por Gonçalo Vaz Botelho no século XV e defendê-los de destruição, pois eles não têm preço quer em termos turísticos quer em termos científicos quer em termos patrimoniais. O progresso verdadeiro faz-se com a salvaguarda dos valores culturais. Peço ao Dr. Almeida Melo, secretário-geral da Fundação Sousa d’Oliveira que entregue ao nosso galardoado o diploma a que tem direito e ao Professor Doutor Teixeira Dias, presidente do Conselho Fiscal da Fundação a gentileza de entregar o prémio agora criado.
Ao Dr. António Pracana Martins peço que ofereça a cada um dos nossos galardoados de hoje, dois livros. Um sobre as escavações em Vila Franca feitas pelo nosso fundador e o outro a minha romântica História dos Açores.

Antes de terminar, peço licença para agradecer à Dr.ª Aureliana da Câmara a pronta colaboração e o entusiasmo que emprestou à nossa iniciativa, ao mesmo tempo que formulo votos para que goze com muita saúde e proveito as novas instalações da escola secundária desta Vila, a cujos destinos preside com tanta competência e que é, acreditem, a única via para o verdadeiro progresso das populações. À senhora vice presidente da Câmara, Dr.ª Eugénia Leal, agradecemos a forma gentil e eficaz com que nos recebeu e executou a deliberação camarária quanto a esta iniciativa.
Finalmente, the last but not the least, ao Dr. Miguel Cravinho e aos seus colaboradores quero enfatizar a excelência e o rigor do seu trabalho científico, as suas irrecusáveis sugestões e decisões que puderam tornar a nossa pobre iniciativa num primor artístico que até meu irmão Manuel cuja habitual ausência física nestas ocasiões em que o seu trabalho é julgado, não pode ser interpretada senão como liberdade poética, certamente aprovou lá no íntimo da ideia que tanto e há tantos anos procura pintar.

Obrigado a todos.
Carlos Melo Bento
2009-07-18



terça-feira, 21 de julho de 2009

Coisa Estranha

Como era de esperar, começaram a aparecer na imprensa do costume revelações que dão a entender que o Tribunal Constitucional vai chumbar mais normas do Estatuto aprovado unanimemente pelos órgãos representativos do Povo Açoriano. Esta é porém uma questão que levanta alguns problemas. O primeiro é saber como é que esses órgãos de comunicação social têm conhecimento dum processo que talvez não esteja em segredo de justiça, é certo, mas que se saiba, não foi objecto de nenhuma conferência de imprensa que divulgasse o pensamento, as razões e as decisões dos conselheiros constitucionais no chumbo que agora se anuncia. Isto no mínimo é deselegante. No máximo, cheira a cabala de quem deveria proceder de outra maneira, pois quer-me parecer que o Estado de que os tribunais são parte integrante e importante, se se proclama pessoa de bem, tem de o ser. Que aquela comunicação social se aproveite das fugas de informação já é pouco ético, mas aí as atitudes ficam com quem as pratica e valem o que valem. Agora que ao nível dum órgão de cúpula do poder judicial se permitam fugas de informação dum Estatuto que rege o destino dum povo inteiro que pode não caber na Constituição de 1976 mas que cabe certamente no coração dos açorianos de lei, é que é coisa estranha, inqualificável e certamente condenável.
Carlos Melo Bento
2009-07-21

Posturas

Com emoção assistiu-se à triunfal recepção a Craig de Mello proporcionada por quem de direito rematada por inesquecível recepção no Teatro Micaelense em que o ilustre visitante proferiu conferência de alto nível científico explicativa da tese que o levou a Estocolmo e receber o mais importante e prestigiado galardão do mundo. Um sistema de tradução simultânea diligentemente distribuído aos convidados, ajudava a perceber o que aquele bisneto de uns pobres emigrantes da Maia e hoje príncipe da ciência, dizia, em inglês. Seu bisavô, se vive fosse, também usaria o aparelho. Foi das cenas que mais emocionantes o ver, na América, uma avó falar com um neto ainda criança e este responder-lhe apenas em inglês que ela não percebia. Só o amor os unia mas, ainda assim, a barreira era tremenda e traduzia o drama de quantos a emigração espalhou irremediavelmente. Mas a questão aqui é outra: um dos nossos conseguiu o Nobel. Dêem-nos terreno que o cultivamos. Somos bons como os melhores e se na nossa terra não conseguimos vencer, a culpa não é só nossa. A recepção foi triunfal, bem preparada e digna de quem a fez e de quem a recebeu. Algumas ausências inexplicáveis. Oxalá que no calor das lutas eleitorais não se pise o risco com posturas fracturantes de efeitos irreversíveis. Somos tão poucos que desunidos de nada valemos.
Carlos Melo Bento
2009-07-14

terça-feira, 30 de junho de 2009

Máscaras

As europeias foram intrigantes. Dois deputados desunham-se a trabalhar no nosso interesse, com afinco, projecção e aparente dignidade. São afastados por razões nunca explicadas, como certamente deveriam ter sido. A opinião pública, em democracia, não pode nem deve ser tratada com a indiferença e o desprezo das ditaduras. Sem círculo eleitoral, ainda assim contemplaram-nos com dois deputados, por ora politicamente inócuos e desconhecidos que partem do zero. Num arquipélago em que praticamente tudo o que de grandioso e bom aqui foi realizado, em todos os sectores, se deve ao dinheiro e à intervenção da Europa, é chocante que apenas 20 por cento dos eleitores tenha consciência disso. Depois, que esses 20 por cento se tenha preocupado mais com os sportings e benficas da política do que com o que aqui realmente acontece, faz pensar que os autonomistas falharam na sua missão de fortalecer o espírito autonómico nos destinatários da política açórica que parecem viver lunaticamente fora daqui. Não tivemos Freeports, nem Loureiros nem pressões políticas sobre os tribunais, nem dinheiros do Estado em offshores, nem a bandalheira autárquica de outros azimutes. Falhou ainda a comunicação social, televisão à cabeça, alheadas do essencial, arrastando-se pelo folclore e pelo fútil. Pode o resultado ter favorecido uma das partes. Mas isso é, por enquanto, ricochete sem significado real. Importa vislumbrar para além das máscaras, os verdadeiros actores e sua real valia. As próximas são a valer e a doer.
Carlos Melo Bento
2009-06-09

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Esferas

Jurgen Habermas o filósofo alemão autor da chamada “Teoria da acção comunicativa”, que manteve um debate extraordinário com Bento XVI, ainda Cardeal, discutindo a esfera pública, e onde a opinião pública é escalpelizada racionalmente até saber-se alguma coisa sobre a forma como ela própria se estrutura, obriga-nos a meditar numa coisa simples. O que é que o povo quer? Como é que nós sabemos se é isso que o povo quer? Que desvios pode levar a esfera da opinião pública desonestamente conduzida para este ou aquele resultado? Há muitos anos, ao escrever o primeiro volume da minha História dos Açores, proclamei com orgulho (pecado feio) que nós açorianos éramos diferentes e tínhamos capacidade de permanecer diferentes. Vivendo em comunidades pequenas onde todos nos conhecemos (ou temos obrigação de conhecer), parecia-me, restaurada a democracia, que não iríamos ser uma Maria que vai com as outras e teríamos uma palavra diferente a dizer, como em 1580, 1830, 1895, 1925 e por aí adiante. Mal sabia que os outros também conheciam Habermas e, jogando com ele, levaram-nos para onde quiseram perante a estupefacção de alguns (poucos). Os peritos (que se alugam a quem querem) ganham as opiniões gerais através de truques que nada têm a ver com a realidade social. E é vê-los fazerem presidentes ou primeiros-ministros ao sabor de métodos que dominam como treinadores de futebol de alta competição. O povo nunca se engana, dizem sempre os vencedores. Talvez…
Carlos Melo Bento
2009-06-23

terça-feira, 16 de junho de 2009

Dilema

Berta Cabral enfrenta difícil e delicado dilema, face às próximas legislativas. Ferreira Leite quer escolher os candidatos. Tecnicamente, nos Açores, prevalece a autonomia mas, a partidária, nas europeias não funcionou completamente. E, mesmo que se tornasse necessário renovar os candidatos, Mota Amaral não deu ainda mostra de cansaço e a líder açoriana parece enfrentar o dilema de Marcelo Caetano face a Américo Tomás, ressalvadas as distâncias e as situações. Por um lado, ele continua a representar o passado heróico laranja que exerceu o poder 20 anos. Por outro, a sua postura como deputado não esteve à altura do seu prestígio nacional, haja em vista a questão do Estatuto Autonómico em que pareceu não ter tido influência. E, ainda, a nova geração que pode decidir tudo, praticamente não o conhece. Com lugares cativos para as outras ilhas e sendo naturalmente importante a identidade dos candidatos, vai ser interessante seguir o processo de escolha daquela que é a política mais bem colocada para disputar a sucessão do poder nos Açores, que é a que nos interessa. Qualquer erro pode deixar tudo a perder. É certo que as tendências do eleitorado nas últimas duas eleições parecem querer deslocar o eixo do poder do seu lugar actual. César, no auge da sua governação com realizações que atingem a mesma dimensão de Mota Amaral (aeroporto, hospital, versus, Portas do Mar e SCUTS, por exemplo), vê o seu eleitorado recuar. E um governo Ferreira Leite em Lisboa, nesta altura, nada de bom augura.
Carlos Melo Bento
2009-06-16

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Biografia de Alfredo de Melo Bento 1909-1994

Biografia de Alfredo de Melo Bento: filho de Manuel Francisco Bento (da Ponte) e de Rosa Viterbo de Mello Bento, nasceu na freguesia de S. Miguel, em Vila Franca do Campo em 18 de Julho de 1909, tendo sido baptizado na Igreja Matriz do Arcanjo S. Miguel da velha Capital da Ilha do mesmo nome. Nessa vila frequentou a escola primária de sua tia D. Maria de Lurdes Bento da Ponte e Melo e o Externato de Vila Franca em que foi aluno do Padre Ernesto Ferreira, sócio correspondente da Academia das Ciências e do notário, historiador e literato Urbano de Mendonça Dias. Foi também aluno do Liceu Antero de Quental onde recebeu ensinamentos, entre outros, do poeta Espínola de Mendonça e de Armando Cortes-Rodrigues, companheiro de Fernando Pessoa, no Orpheu. Formou-se em engenharia de máquinas em 1936, no Instituto Industrial de Lisboa fundado por Joaquim Bensaúde, onde foi discípulo dum dos melhores matemáticos da Europa do tempo.

Em 1939, casou em Ponta Delgada com Natália Maria Augusta da Silva (filha dum abastado comerciante desta cidade); tiveram quatro filhos: Manuel Alfredo, Carlos Eduardo, José Rosa e Maria da Graça.

Foi mobilizado em 1941 para o Corpo de Engenharia do Batalhão Expedicionário dos Açores onde atingiria a patente de tenente miliciano, ficando-se-lhe a dever a construção de inúmeros aquartelamentos militares designadamente hospitalares, como o de S. João na sua terra natal. Depois de cumprir o serviço militar, foi colocado no quadro da Direcção dos Serviços Eléctricos e de Viação e Trânsito da Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada, encarregado dos exames de condução e inspecções, cargo que desempenhou praticamente sozinho até 1979, ano em que atingiu, contrariado, o limite de idade.

Foi professor do ensino técnico, ministrando entre outras, em ensino nocturne, as disciplinas de desenho técnico e matemática na Escola Industrial e Comercial de Ponta Delgada, durante mais de duas décadas.

Foi Comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada de 1955 a 1957, cargo a que dedicou toda a sua paixão filantrópica, formando pessoal, melhorando o equipamento, tomando a iniciativa de angariar fundos para a construção do novo quartel, para o qual obteve da Câmara Municipal, terreno na Avenida marginal, Infante D. Henrique, em Ponta Delgada onde hoje se situa a Caixa do Montepio Geral.

Como Comandante da Brigada Naval, em Ponta Delgada, protegeu a sua terra natal, mobilizando a banda União Progressista para quem conseguiu fardamentos e instrumental, nessa época de muito difícil obtenção.

Foi torneiro amador de grande qualidade, habilidade que aprendeu nas oficinas de marcenaria de seu pai, que foi o pioneiro da marcenaria electrificada em toda a ilha de S. Miguel e nos Açores. Foi também comerciante de ferragens com um pequeno estabelecimento que funcionou na rua da Cruz e na Rua dos Manaias, nos baixos da casa onde residia e onde lhe nasceram todos os filhos.

Nos anos cinquenta do século XX, tomou a iniciativa de criar o primeiro parque infantil da cidade de Ponta Delgada, que fez ajudado por seu irmão Eduardo de Melo Bento, topógrafo do Instituto Cadastral de Ponta Delgada e, como ele, também grande artista, desenhando e executando em madeira, entre outros brinquedos, animais de grande dimensão que foram colocados numa roda horizontal movida a electricidade, constituindo em todo o Arquipélago um parque de diversão do mesmo nível do de outros países. Ali também construiu uma roda vertical de cerca de cinco metros de altura, a primeira que a ilha teve e que constituiu durante anos a alegria de graúdos e miúdos.

Viveu o suficiente para assistir ao nascimento da sua primeira neta (Patrícia) em 26 de Outubro de 1965, e do seu primeiro bisneto, Carlos, em 25 de Dezembro de 1992.

Faleceu na Clínica do Bom Jesus em Ponta Delgada no dia 25 de Abril de 1994. Deixou ainda dez netos e oito bisnetos.