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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Claramente

Nuno Almeida e Sousa, em programa radiofónico, informou, que o Estado tem nos Açores muito património abandonado e/ou degradado que aliás elencou. Só que, para além disso, penso que os serviços do Estado nestas ilhas são de facto pouco eficientes para dizer o mínimo. Por qualquer razão que escapa ao entendimento do comum dos mortais, há uma sensação de abandono em tudo que não pertence aos órgãos autonómicos. Mas não é abandono. É assim mesmo. O centralismo não sabe governar as periferias. Sabe é mandar nelas. Fazer não faz. Mas também não deixa fazer. E este é o absurdo das guerras que declara. Não confia nem desconfia: manda. Jardim chama-lhes colonialistas mas parece que não. É mesmo birra. Querem ser ouvidos? NÂO. Querem içar bandeiras? NÂO! Querem-se chamar açorianos? NÂO!! Mas, ouçam lá, a quinta da Lagoa das Furnas está a cair aos bocados e é da Presidência da República, não é melhor consertar a casa, arranjar os jardins paradisíacos que pode o Chefe de Estado querer dar um passeio soberano à Ilha do Arcanjo? NÂO!!!! Mas o Polígono Acústico de Santa Maria está todo vandalizado e abandonado e roubado e arruinado, não era melhor?...NÂO!!!!! E a PJ que não tem meios para lutar contra o tráfico de droga que se espalha assustadoramente? NÂO!!!!!! E a Universidade cuja verba? NÂO! NÂO! E NÂO! E o palácio Marquês da Praia que ameaça ruína? NÂO! De facto, isto não é colonialismo. Deve ser constitucionalismo, é o que é. Sucessivo. Perguntem a Jorge Miranda que ele dirá: claramente!
Carlos Melo Bento
2009-01-13

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

"Nós o Povo..."

Com estas palavras começa a Constituição dos Estados Unidos da América, o primeiro país que se fundou à luz dos sãos princípios da Revolução Francesa de igualdade, liberdade e fraternidade e tão bem o fez que cresceram e se tornaram na nação mais poderosa do planeta. O seu sistema político fê-la imbatível a nível interno e externo, e essa Constituição já vai com mais de duzentos anos tão sólida como no primeiro dia. A nossa tem 32 anos e está sempre a mudar e Portugal tem quase mil anos de existência e está como está! Algo está mal e certamente não é a Constituição americana. Nela se diz que o parlamento, ali chamado Congresso, pode destituir o presidente mas não prevê que o presidente possa dissolver o Congresso. E a coisa tem lógica porque se quem manda somos “nós o povo”, o presidente tem mais é que respeitar os seus representantes e não o contrário. Assim se respeita a democracia. Assim se vive em democracia. Assim existe democracia. Transpondo a coisa para nós que desde 1974, felizmente, temos sabido viver em democracia, o Presidente da República não devia ter o poder de dissolver Parlamentos pois isso transfere para uma pessoa só um poder que na verdade só o povo e os seus representantes devem poder exercer. Por isso há que mudar a Constituição para lhe dar um cariz essencialmente democrata. O Representante da República corajosamente falou no Povo Açoriano e louvou o nosso Estatuto. Coragem e lucidez não lhe faltam. Que pena o cargo não ser ocupado por eleição.
Carlos Melo Bento
2009-01-06

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Bom Ano

Vai começar o ano e, parece que a crise financeira, de abundância mal controlada, atingirá o cume. Aparentemente devido a burlas gigantescas, grandes instituições financeiras americanas tremeram e, algumas morreram, arrastando atrás, nos outros países, idêntica catástrofe de confiança, único cimento que aguenta os sistemas financeiros de mercado. Não se esperava mas em Portugal também haverá burlões num terreno até agora dirigido por gente muito dura mas séria, ao extremo. Os perigos são muitos e corremos o risco de falências em cadeia, desemprego, desespero, convulsões. A tempo, o Ministro das Finanças, num gesto muito inteligente e oportuno, garantiu os depósitos e estancou a avalanche do descrédito, na fonte. O mercado observa atento mas não entrou em ruptura. A administração Bush, contra o seu próprio liberalismo confessional, interveio a fundo e suturou as feridas principais. Só que 2009 é ano de eleições gerais em Portugal onde, como é notório, os políticos não são os mais espertos do mundo e é de recear que, no frenesim da luta partidária, os que ambicionam o poder a qualquer preço esqueçam como de costume os interesses do País. Temos que estar unidos à volta de chefias seguras para sobrevivermos à tempestade; e a aprovação do Estatuto, apesar dos engulhos, obriga-nos a uma unidade que torne o conjunto mais forte. Por cá, a questão da chefia não se põe porque já se pôs e está resolvida por 4 anos. Firmeza, cautela e lucidez. Bom ano e muito boas contas.
Carlos Melo Bento
2008-12-30

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Dez Mais 2008

2008 obriga a recordar os vencedores. Ferreira Moreno e Fagundes Duarte no jornalismo de investigação e opinião impuseram-se, aquele pelo labor infatigável, este pela coerência, incisividade e nua lucidez. Escritor é Cristóvão de Aguiar com um onanímico e belo e estranho e encantador “Cães letrados”. Político é, novamente, Ricardo Rodrigues, eficiente porta-voz do Povo Açoriano, conciliador da autonomia real com o interesse geral. Autarca, Berta Cabral, esmagadoramente imparável. Gestores Vasco Garcia, no fim da vida, dá generosamente a vida por vidas e Piedade Lalande com êxito no que parecia impossível num Rabo de Peixe irreconhecível. Nas artes Mário Jorge Garcia com o inimitável “Açores no Coração”, a par com “Corisco de Trabalho” de Nuno Brito agora de grande sucesso. Cientista foi Paulo Borges com a notável Biodiversidade dos Açores, demonstrativo que fazemos o melhor no que é nosso. No desporto, Victor Pereira que Cruz Marques bem alçou a treinador do Santa Clara, competente e digno, conduz a nau desportiva a bom porto. O acontecimento do ano foi a inauguração das Portas do Mar, nosso justo orgulho e vitória incontestável da eficiente equipa socialista, política e técnica. A grande figura do ano, Carlos César, vencedor absoluto da maior prova autonómica de sempre, obrigou a democracia a funcionar, derrotou todos os centralistas e guindou a Autonomia a alturas nunca antes atingidas na nossa História, onde entra por direito próprio.
Carlos Melo Bento
2008-12-23

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Enganos

Foi muito contestado pela Oposição o Presidente do Parlamento por não sujeitar a votação o Programa do Governo. Estranha coisa, de facto. Mas, curiosamente, o Presidente limitou-se a declarar que estava a cumprir a lei, no caso, o Regimento da Assembleia. Penso que qualquer jurista ficaria estupefacto por a Oposição ter criticado aquela autoridade autonómica pelo “crime” de ter cumprido…a lei! O bom senso (que o Dr. Francisco Coelho acolheu), fez votar o programa depois, mas, aparentemente, mal. Numa democracia pura, o primado da lei é essencial. Nada nem ninguém está acima da lei e muito menos os que a fazem. Os senhores deputados fizeram o seu regimento, privilégio que só a eles cabe. Pois é a eles que incumbe obedecer às suas próprias leis. Sem discutir. Sem reservas. Sem reticências. Pois deles tem de vir o exemplo. A lei é dura? Mas é lei, ensinaram os romanos (dura lex sed lex). Invocar o costume para a não cumprir é coisa medieval que pode ser politicamente correcta mas, em termos de estado moderno, é discutível. Salvo o devido respeito, antes de se submeter o Programa a votação, a Assembleia deveria ter resolvido alterar o artigo, aqui para a gente, pouco claro. E, só depois fazer a votação, porque é lógico que um documento de tamanha importância não devia ser aprovado sem profunda e demorada apreciação por aqueles que são pagos para esse efeito. Infelizmente, esta polémica impediu suas excelências de cumprir a única obrigação que tinham. E quem perdeu fomos nós.
Carlos Melo Bento
2008-12-16

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Solidariedades

É inusitada a posição de Freitas do Amaral em relação à questão do nosso Estatuto. Se, quando esse documento foi aprovado por unanimidade, o antigo candidato à Presidência tivesse opinado o que hoje divulga, pareceria menos estranho do que, a reboque duma polémica artificial, vir agora fazer um apelo dramático para que se não deixe passar aquele documento para-constitucional, da forma como está, porque, alega, diminui os poderes do Chefe de Estado. Este é o primeiro equívoco do antigo professor de direito administrativo. No Estatuto Açoriano não há uma única disposição que retire ou dificulte o exercício do seu direito de dissolver os órgãos autonómicos. Antes, reverenciando a pureza da Autonomia Constitucional (e não meramente administrativa, como no tempo da Ditadura Nacional), rodeou-se esse poder duma cautela já prevista na Constituição. Se houvesse sinceridade democrática no reconhecimento da Autonomia Constitucional, os juristas da Presidência deveriam ter saudado o Estatuto e louvado os seus fautores e não o contrário. Já imaginaram as convulsões que se seguiriam se os órgãos autonómicos fossem dissolvidos arbitrariamente pelo Presidente, sem serem antes ouvidos? Não sei se os economistas aprendem as mesmas regras mas nós, em Direito, fazemos questão de não tomar posições punitivas seja de que espécie for, sem ouvir previamente o punido. Tive os mesmos Mestres e frequentei, ao mesmo tempo, a mesma Escola. Estou menente e confuso com esta inesperada e incompreensível solidariedade.
Carlos Melo Bento
2008-12-09

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Absurdo

Nunca percebi a razão porque hão-de os contribuintes pagar aos partidos políticos seja o que for quer eles ganhem quer não ganhem eleições. Como se sabe, pela lei que os deputados eleitos fizeram, só os partidos deles recebem por cada voto um xis. Os outros, ditos pequenos e sem assento, recebem multas que é para não quererem brincar às eleições com os grandes. De facto, uma lei muito difícil de cumprir, feita para os que têm deputados eleitos e para os que não têm, prevê pesadas sanções financeiras para quem se esquecer de ter o recibo da água em seu nome ou se demorar dois dias a apresentar as contas, etc.; mesmo que o orçamento não atinja os cinco mil euros anuais, a conta a pagar por uma dessas falhas é muito superior. Ora, isso além de ser imoral porque quem não recebe dinheiro do estado, não devia estar sujeito a uma legislação fiscalizadora diferente ou mais difícil do que a duma sociedade comercial por cotas, é absurdo. É que não faz sentido que o estado, ou seja, todos nós, os que votam, os que não votam ou os que votam contra sejam obrigados a pagar seja o que for aos que foram eleitos. Já basta termos que lhes pagar os ordenados sem podermos avaliar o seu trabalho antes de novas eleições. Por alma de quem é que os contribuintes têm de pagar dinheiro aos partidos que estão com a barriga cheia de votos e de lugares? Para quê? Que os seus partidários paguem o que entenderem ao que escolheram como predilecto, tudo bem. Mas nós, que nem gostamos deles?! Haja moralidade ou comam todos.
Carlos Melo Bento
2008-12-02

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Inteiramente

Portugal é um dos mais antigos Estado da Europa, entendendo-se como tal a Nação politicamente organizada. Nervos essenciais do estado são as forças armadas e o sistema económico – financeiro, a tal ponto que, quando um destes sectores entra em crise, o estado periga e, no geral, transforma-se. Nos estados de mercado livre, a economia e as finanças assentam na banca, depositária das poupanças e dínamo dos investimentos. Quando a banca espirra o estado constipa-se. Por aqui se vislumbra o perigo que nós todos corremos na presente situação, emergente duma crise bancária à escala planetária e que embateu com violência inaudita no tal nervo, num impacto que abalou todos os sistemas internos, desde a empresa à moradia, desde o emprego à mesa. Abismados, assistimos ao revelar de indícios de graves tropelias, num sector que deve ser inteligentíssimo mas que tem de ser integérrimo. Parece que, afinal, nem uma coisa nem outra, com a agravante de se pretender agora conspurcar o mais alto órgão de soberania do estado. Nunca ninguém se atrevera a tanto desde D. Carlos I e deu o que deu. Há algo por detrás desta furiosa e estranha tempestade que está mal explicado. O País não devia ser joguete na mão de gente sem escrúpulos nem sujeitar-se a ser defendido por ingénuos passivos, sem coragem para impedir ocorrências gravíssimas que nos podem perder a todos. A Justiça por melhor que seja (e é) não previne nem governa. É altura de se exigir aos que pagamos para isso que cumpram os seus deveres. Inteiramente!
Carlos Melo Bento
2008-11-24

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Gratidão


Qualquer que tenha sido o motivo de deixarem os órgãos supremos da autonomia açoriana, os que agora saem e exerceram os respectivos cargos com desinteresse material e sacrifício das suas vidas profissionais e familiares só merecem dos açorianos profunda gratidão. Terão acertado, terão errado nas decisões que tomaram, nos planos e opções que em nosso nome adoptaram, não importa tanto como o facto de terem aceite agir em nosso nome por idealismo, por espírito de servir, por ambição de marcar a história com a sua inteligência e acção, por tudo isso temos de ficar-lhes gratos. Não há pior regime do que aquele que é exercido por mercenários sem ideal que não seja encher as barrigas, empregar os filhos e conseguir reforma que lhes garanta um fim de vida sem problemas. E os que saem sem fazerem isso, têm o benefício da dúvida se mais não houver para provar que ali estiveram ao nosso serviço que não do deles próprios. Certamente que alguns não compreenderão porque motivo os seus serviços deixaram de ser necessários, úteis ou oportunos mas esse juízo não lhes compete fazê-lo. Churchill na glória máxima da vitória sobre o Eixo, perdeu as eleições. A mulher para o consolar insinuou que talvez fosse uma graça de Deus. O “Leão inglês”, respondeu: - “Se é, está bem escondida”. Talvez sim e talvez não, o que não pode é ter-se a reacção de Salazar quando viu a grande manifestação a favor de Delgado:- “Ingratos!”. Quem serve não espera gratidão; ou a merece ou não.
Carlos Melo Bento
2008-11-18

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Relíquia

Os Açores são a relíquia dum vasto império que um pequeno povo temerário e heróico fundou nos quatro cantos do mundo, criando nações e estados incrivelmente maiores que ele próprio, onde milhões e milhões de pessoas falam a sua língua, crêem na mesma fé, usam as mesmas leis, amam os mesmos desportistas e se comportam como co-fundadores dessa tarefa gigantesca que nos coloca a todos, sem motivo de vergonha, ao lado dos maiores e mais poderosos. Relíquias, escrevi eu, não jardim zoológico em que uns tantos teimam em ver ridículos laboratórios onde se experimentam teses ou se põe e dispõe como em casa alheia, ao sabor dos caprichos de políticos sem dimensão nem génio. O destino e o viver dos açorianos é, antes de mais, assunto que só a eles interessa e só a eles compete decidir. Não aceitamos tutelas. Podemos ser vítimas de atropelos cobardes mas não vergamos a nossa vontade a ditadores de pacotilha e a Napoleões de cartão. Não embarcamos em cruzeiros de jurisprudências servis. Somos gente. Somos cidadãos de cidadania completa. Somos autónomos não colonos duma qualquer potência novecentista nem pertencemos a roçados mapas cor-de-rosa, cartas de jogar em tabuleiros de duvidosa racionalidade. Quem não se sabe governar não tem legitimidade para querer governar os outros. Quem não manda em sua própria casa não tem boca de falar na casa dos outros. Deixem-nos em paz. Quem quiser fazer melhor que venha viver de vez para cá e, então, será como nós.
Carlos Melo Bento
2008-11-11

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O Tsunami

O momento é incerto e perigoso. O capitalismo que tanta riqueza gerara no mundo ocidental, propagando-se à Ásia como fogo em pólvora, atravessa uma crise que arrasta o sistema que parecia sólido como rocha. O fantasma de Marx e a sua profecia apocalíptica surgem do sótão das coisas esquecidas, fazendo tremer os que julgavam o materialismo dialéctico morto e enterrado. Uma grande abastança abatera-se sobre o mundo capitalista, com casas luxuosas, carros de milhares, cruzeiros de fantasia, saúde gratuita, ensino ao desbarato, comércio a rodos, tanto que, no delírio do consumo, as pessoas nem pensam nas dívidas que durante anos as amarram aos bancos e às suas hipotecas, às empresas de crédito contra incertas declarações de IRS, a troco de computadores, telemóveis, jogos electrónicos, vídeos e aparelhagens de preços e efeitos incríveis, internetes de mirabolantes e imediatas comunicações para qualquer ponto do planeta, GPS de orientação inaudita que até dispensam pilotos ou guias, ginásios que se esfalfam a desfazer as gorduras duma alimentação excessiva e barata que a todos deforma, e tudo o que nem a mais delirante imaginação podia prever. Inesperadamente, a banca, nervo e mola real do sistema, dá um grito de dor e parece submergir no meio duma overdose de lucros e progresso transformados em falências e burlas impensáveis. No aparente remanso do nosso cantinho, porém, vão chegar as ondas do tsunami que abalará a vivência idílica em que despreocupadamente temos vivido. Não duvidem.
Carlos Melo Bento
2008-11-04

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Que futuro?

Sabido o resultado das eleições, cabe pensar no que vai ser agora o nosso futuro, pois as análises dos “porquês” e dos “podia ter sido” só aos analistas interessa. Com maioria absoluta de deputados, o partido socialista irá certamente continuar com a política que lhe deu outra vitória eleitoral, cabendo-lhe, para salvaguardar o prestígio e credibilidade, cumprir o programa eleitoral, tanto quanto possível à letra. César, figura aglutinadora da sua máquina partidária, tornou-se para o partido do poder numa peça chave da governação sem o qual todo o equilíbrio até aqui conseguido, provavelmente não subsistirá.
A oposição mais fragmentada é certamente um trunfo de que os socialistas só agora dispõem, pois a divisão do adversário faz a força do que manda. As apostas do actual governo no turismo e nas comunicações, sobretudo, valem objectivamente um lugar na história do nosso progresso material; o apoio à pobreza com uma reinserção permanente dos mais pobres, como nunca se viu (despoletando por parte das Câmaras emuladas igual iniciativa); o acesso à educação e à cultura iniciada pelas laranjas e agora ainda mais desenvolvidas e apuradas, tem sido positivo. Se a crise financeira descambar em recessão, temos condições políticas para atravessar a tempestade com o máximo de capacidade de sobrevivência. No campo da autonomia, o poder rosa já sabe que, se parar, morre, daí que só pode avançar, pois aparentemente, estão todos de acordo. E, em política, o que parece é.
Carlos Melo Bento
2008-10-21

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Genocidas

Genocídio é o assassinato de todo um povo. Os nazis fizeram-no com os judeus, os turcos com os arménios e por aí fora. Os açorianos, através do seu Parlamento, e por unanimidade, proclamaram-se como Povo e orgulhosamente inscreveram, no seu Estatuto constitucional autonómico, a declaração de que se assumiam como tal, com governo próprio e território determinado. Estávamos todos contentes e felizes a gozar esse momento de glória histórico e inofensivo e, eis senão quando, vieram os genocidas e “limparam-nos” do estatuto e ficaram eles, então, felizes e contentes. Claro que entre os judeus, os arménios e nós, há uma diferença fundamental: nós ainda estamos vivos e a limpeza étnica, como tudo o que se passa em Portugal, não passou do papel. Mas dói. Pela incongruência de se dizerem democratas e agirem como autocratas. De proclamarem a democracia e praticarem a ditadura. Ditadura ideológica que é a mais grave de todas pois nem liberdade de pensar nos querem reconhecer. Ou melhor, deixam-nos pensar, logo que seja como eles querem. Ora, perante esta situação, de duas, uma, ou acatamos por cobardia disciplinária (ou seja, disciplina partidária) ou erguemos a cabeça e dizemos: não! Serve de pouco, dirão os cépticos. Pois é, mas é essa a diferença entre dignidade e o resto. Entre o ser-se verdadeiro e o não se ser. Por isso, é que um voto no PDA, para mim, vale mil dos outros. Utopia? Talvez. Inconsequência? Talvez não. O Povo Açoriano irá decidir. Quer exista quer não.
Carlos Melo Bento
2008-10-14

sábado, 20 de setembro de 2008

Onde?

Um dia destes a Câmara realizou, na Urbanização do Paim, ao Papa-terra, uma interessante cerimónia de descerramento de placas toponímicas de grandiosas praças com nomes da Autonomia Constitucional, da primeira Assembleia e do primeiro Governo autonómicos. Tudo com elegantes colunas com os nomes dos pioneiros dessas instituições. A cerimónia terminou com pompa e circunstância com tribuna, passadeira vermelha e um importante discurso do Pai da Autonomia constitucional, João Bosco da Mota Amaral. Presentes o antigo deputado Carlos Teixeira, os primeiros Secretários das Obras Públicas, João Bernardo Rodrigues e do Trabalho, António Lagarto. Presentes também o antigo Deputado europeu Vasco Garcia e o outrora Secretário do Trabalho Octaviano Mota. Ausentes todos os outros. Ausente a televisão. Ausente a multidão que antigamente acompanhava, subserviente, Mota Amaral por todo o lado. Ausentes tantos que o seguiam pelas estradas políticas que desbravou, tirando-os do anonimato e da penúria. Do governo socialista actual nem vivalma! Dos outros partidos apenas se viu José Ventura do PDA. Como é curta a memória dos homens! E escassa a elegância dos adversários! E inconcebível o desprezo da comunicação social pública e paga por todos que outrora rastejou a seus pés até à náusea. É difícil engolir na nossa terra estas posturas invertebradas sem um grito de revolta. Onde pára a velha cepa açoriana? Há momentos na vida dos Povos que não é a luta política que prevalece mas a unidade que faz a força e a história.

Carlos Melo Bento
2008-09-15

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O tempo


O PSD pela voz de José Cabral Bolieiro assumiu uma posição que dignifica os sociais democratas açorianos, relativamente à questão que Cavaco Silva levantou sobre o Estatuto, opondo-se às “opiniões” do antigo presidente do seu partido e defendendo com coragem o voto proferido unanimemente na Assembleia Legislativa. Não é, porém, líquido que essa postura chegue a tempo de influenciar o eleitor nas próximas eleições já que, na política, “o tempo é mais importante do que em gramática”. Por outro lado, Berta Cabral emprestou o nome à lista de deputados por S. Miguel, facto que só pode ser interpretado como simbólico pois a autarca proclamou diversas vezes que tem um compromisso com a cidade que governa com superior competência. É, no entanto, óbvio que, havendo uma crise constitucional ou autonómica, a sua presença na Assembleia (a título excepcional e transitório que fosse) daria segura garantia de estarmos ali representados ao mais alto nível de saber e de inteligência quando e se isso for preciso. Por outro lado, Mota Amaral surpreendeu assumindo uma posição de colagem ao Presidente da República, facto que pode significar divórcio entre as cúpulas laranja açorianas ou o fim dum ciclo. De qualquer modo, é um equívoco que tem de ser esclarecido, pois uma fractura no maior partido de oposição não pode deixar ninguém indiferente. O tempo de eleições tem esta vantagem, leva as pessoas ao limite do campo de manobra e permite clarificar situações ambíguas. Assim o perceba o eleitor atento.
Carlos Melo Bento
2008-09-09

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Caramba!


A declaração do Prof. Cavaco Silva aos portugueses, sobre as normas do Estatuto Açoriano aprovado por unanimidade de todos os representantes dos dois Povos envolvidos, soou a alarme injustificado e inoportuno. Como economista, não foi certamente o Presidente da República portuguesa quem esteve a analisar a referida lei e sim os seus jovens acessores jurídicos que o induziram a pensar que os poderes presidenciais saíam lesados com tal aprovação. Todavia, isso não é correcto. Ter de ouvir, para dissolver os órgãos regionais, mais entidades das que tem de ouvir para dissolver o Parlamento não é diminuição de poderes é respeito pelos dissolvidos e pela autonomia que lhes reconhecem, também por unanimidade. Da mesma maneira que o Presidente não pode dissolver a Assembleia da República por simples capricho, a verdade é que os órgãos regionais também não. E ouvir quem se quer matar, é o mínimo que a civilização ocidental, hoje, e sempre, exige do matador. Ademais, tal parecer não é vinculatório, o que quer dizer que, ainda mesmo que os regionais se opusessem, o Presidente estava no seu direito de o fazer, assumindo as consequências políticas do que fizesse mas isso, já se vê, são os ossos do “duro ofício de reinar”. Então porquê tanto chamatão à volta de coisa nenhuma? Ele lá saberá. A nós, açorianos que infelizmente votaram nele por maioria, caberá apenas um respeitoso: -“ Mas, Senhor, nem sequer ouvir?... Ouvir!?!” Sabe-se que não nos ligam nenhuma mas ao menos ouçam! Caramba.
Carlos Melo Bento
2008-08-05

Olimpicamente

Causou emoção, a delegação de S. Tomé e Príncipe, o pequeno arquipélago filho da expansão portuguesa, no cortejo inaugural dos Jogos Olímpicos chineses. Não sei se os sãotomenses terão alguma medalha mas isso também não é a questão mais importante porque também não ignoramos os diversos esquemas que levam estes e aqueles ao ouro. A questão está em poder ou não competir-se com autonomia própria nesses famosos jogos. A Bermuda, pequena ilha de 70 mil habitantes, tem um Comité Olímpico. Nós temos de nos contentar em saber que o filho do antigo secretário regional, homem do Pico, entra na vela e que a Benfeito, micaelense do Canadá, entra não sei em que modalidade. Parece que somos um povo de empréstimo que é e não é, nem deixa de ser e não ser. O judo tem aqui participantes de luxo. Nos desportos marítimos temos por obrigação gerar campeões. Mas para que serve se, quando representam Portugal são portugueses, quando representam os países da emigração são apenas descendentes de açorianos? Quer dizer, se um açoriano quiser ser gente tem de sair daqui. No desporto ou na ciência (veja-se o Craig Melo no Nobel) ou seja em que for. Não acham isso estranho? Já não será tempo de pensarmos em nós? De sermos nós próprios aqui? Com vetos ou sem vetos, temos que ser açorianos. Não de arribada ou de passagem. Açorianos mesmo. Será que em minha vida ainda verei a delegação açoriana participar orgulhosa no cortejo olímpico? Se perdermos as medalhas não seremos os únicos nem os últimos.
Carlos Melo Bento
2008-08-12

Calotes


Diz-se que um terço dos calotes à banca se deve aos divórcios, solução agora perigosamente em moda para resolver todas as questões conjugais. Comprados a casa e o carro a prestações, tudo se desmorona quando o casal dissolve a sociedade conjugal e…abre falência. A primeira consequência é deixarem de pagar a casa, pois o carro é importante para o engate seguinte. Principalmente para aquele que teve a lucidez de o pôr em seu nome e guardar as chaves na hora da partida. Se o outro “ex” é vingativo, sai providência cautelar e o carro fica a apodrecer até que a “credi” qualquer coisa tome providências que geralmente se resumem a ficarem com a viatura ao preço da chuva enquanto a dívida sobe à razão dos juros. No fim, casa e carro são perdidos e vendidos por preços abaixo da dívida, ficando os “ex” devendo a diferença por muitos e bons anos. Como a culpa apenas pode ser imputada aos desavindos, não parece que o Estado deva intervir e as pessoas é que têm que ver o que fazem e antes de casar ou pensar duas vezes antes de se divorciarem que o casamento não é propriamente um par de sapatos que se põe de lado quando sai de moda. Mais grave porém é a situação que resulta do desemprego de um ou dos dois. Aqui o Estado tem de pensar numa forma qualquer de intervir até que novo emprego apareça, visto ter intervido demais na economia e não possa agora lavar as mãos quando ela dá de si. Uma espécie de abono para casa, no desemprego. A prazo, claro que estas coisas quando são fáceis tendem a eternizar-se.
Carlos Melo Bento
2008-08-19

sábado, 30 de agosto de 2008

Volúpias

Volúpias

O lançamento de 6 grossos (quase mil páginas cada) volumes das Genealogias de S. Miguel e Santa Maria do rigoroso e profundo Rodrigo Rodrigues, além de cerimónia bonita, foi momento importante nestas coisas do pensamento. Falecido há décadas, o autor foi sempre referido, pois sabiam os entendidos que a obra era imensa e irrepetível. Seu neto, o distinto médico Henrique Aguiar Rodrigues, preparou a espectacular edição, num trabalho colossal, a ponto de se poder dizer que nunca veria a luz do dia se não fosse ele. Há um ano, outra obra de igual fôlego, foi lançada na nossa Terra: Genealogias da Ilha Terceira, dos Drs. António Ornelas Mendes e Jorge Forjaz, em 9 volumes de igual tamanho e valia, fruto duma vida inteira de amor ao nosso Povo e de muito trabalho sem remuneração material. Mas, se eles sentiram com isso a mesma volúpia que sinto ao escrever a História dos Açores, não tenho pena deles, pois ficam a ganhar. Uma coisa é certa, estas obras são monumentos gigantescos e um serviço sem preço prestado ao nosso Povo. Se Ernesto do Canto nos legou o Arquivo dos Açores, delícia dos investigadores em todo o mundo, Rodrigo Rodrigues, Aguiar Rodrigues, Ornelas Mendes e Jorge Forjaz legam-nos amplas varandas sobre as nossas famílias, ricos e pobres, comuns e aristocratas, intelectuais e iletrados e, através delas, podemos ver saltando, durante séculos, de ilha em ilha, a gerar, educar e tecer este querido Povo que tanto amamos. Ditosa Terra que tais filhos tem.
Carlos Melo Bento
2008-08-30

domingo, 27 de julho de 2008

Os trabalhadores

Ao contrário do resto do país, depois de 1974, nos Açores, houve um consenso no sentido de apoiar-se o capital, quando lá fora corria desenfreadamente o ódio aos “ricos”, com ocupação de casas e terras, saneamentos, fugas para o estrangeiro, auto gestão de empresas, expulsão dos patrões e outras tantas loucuras que destruíram a frágil economia lusa quase até à bancarrota. Aqui, calmamente, um modesto empregado, retira da empresa milhares de contos e vai levá-los ao patrão, exilado em França, sem eira nem beira. Outro faz o mesmo e vai ao Brasil levar o seu a seu dono. Era ilegal mas fez-se porque a moral sobrepõe-se às leis desonestas. Tudo com autorização e protecção dos que então dirigiam a FLA que nunca tiveram vergonha de defender a propriedade mesmo à custa de graves riscos. Hoje, o capital está sólido e não precisa de ajuda, ao contrário, precisa de defender-se apenas de si próprio, contra os excessos que sempre comete quando tem o poder. Por isso, parece bastante óbvio que, quem precisa de protecção, são os trabalhadores, principalmente os menos qualificados. A dignidade da pessoa humana, o direito a emprego seguro, a justo salário ( que os rendimentos mínimos não são, pois cheiram a esmola discricionária), a função social da propriedade, são valores que urge promover a primeiras preocupações. Não vá dizer-se, com razão, que os açorianos são um povo de escravos que enriquece uma parte dele, para a outra lhe obedecer até morrer de fome ou emigrar por necessidade.
Carlos Melo Bento
2008-07-27