Mostrar mensagens com a etiqueta Artigos do Açoriano Oriental. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artigos do Açoriano Oriental. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Faz de Conta

É a opinião pública que decide o decurso da vida das sociedades. Já Maquiavel notava que, mesmo um exército vitorioso não pode dominar os vencidos contra a vontade da sua população. Os que mandam, duma forma ou doutra, têm de contentar os que são mandados para que não haja convulsões que tudo destroem. Daí que os governantes tenham como principal preocupação conhecer e controlar a opinião pública, o que talvez se possa explicar através dos séculos, com o pão e jogos, a censura, a repressão e actualmente com…a comunicação social. Jornais, televisão, rádio, internets, e os que os manipulam perceberam que podem influenciar a opinião pública, criando casos, dominando figuras públicas, desviando atenções e conduzindo os incautos para situações bem estranhas. Vimos pessoas alheias ao assunto insultar os McCann no Algarve quando interessou transformá-los em vilões e assassinos da filha, vimos destruir políticos por motivos fúteis ou inventados, cria-se pânicos pandémicos. Ganha-se audiências, vende-se jornais e manipula-se uma opinião pública que as escolas não prepararam para resistir à sedução dos escândalos, permitindo-se a um poder não eleito mandar sem garantias de imparcialidade, sem mínimos de competência, sem padrões morais de qualquer espécie. Aprendizes de feiticeiro que brincam com coisas sérias ao sabor de interesses inconfessáveis. Urge impor rigor na informação para podermos viver numa sociedade real e não num conto de fadas ao contrário ou num faz de conta muito perigoso.
Carlos Melo Bento
2009-12-29

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Os dez mais de 2009

Tentemos escolher os dez melhores. Político será José Contente ou Carlos Ávila. Aquele pelas SCUT que constrói com sucesso, este, pelos 8 anos de oposição civilizada e por uma vitória sem vanglórias. Empresário, Manuel Cruz Marques que na hotelaria conquista um sector de concorrentes poderosos. No desporto, vencem Sara Juromito Silva, Luana de Melo Minucci e Yasmin Marques Choonara, medalhas de ouro no open internacional de França, de ginástica aeróbia de alta competição, num inexcedível trabalho de Alexandra Barroso, salientando-se ainda a Sara, medalha de bronze, na Roménia. O livro é “Um País de Floreanos” do Engenheiro José Jorge de Melo, viagem no mundo açoriano, de memória e imaginação saborosas e encantadoras. No jornalismo, distingo Lino Freitas Fraga, o corvino que nos trouxe nas “Crónicas da Guerra”, a vida e glória dos açorianos que “honraram a Pátria que os ignora”, descrevendo essas “Almas sem vida” e “Vidas sem alma” para nosso tormento e inquietação. Na ciência, Vítor Hugo Forjaz, o primeiro sábio de língua portuguesa a ostentar o título de professor catedrático em vulcanologia. Nas artes, o escultor Álvaro Raposo de França mestre que, na idade da sabedoria, atingiu a pujança do incomensurável talento. Autarca foi João Ponte pela consagrada administração de criativo rigor. As autárquicas e os 30 anos do PDA foram os acontecimentos do ano que merecem ponderação. A figura do ano foi Craig Mello, Nobel da medicina, neto da Maia que nos alçou ao cume do reconhecimento internacional.
Carlos Melo Bento
2009-12-22

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Espionagens

Não é justo que, partindo de dois ou três processos, no meio de milhões, se condene a justiça como irresponsável desleixada que demora anos na solução duma pedofilia ou violação do segredo de justiça. É injusto para os que têm os processos em dia (tanto quanto possível, pois um juiz devia ter 300 processos por ano e tem mais de 2.000, em média) e para os que guardam diligentemente o segredo que os seus processos encerram como um sacerdote guarda o de confissão. Para perceber o tribunal há que ter em conta dois princípios fundamentais que os juristas aceitam por formação: faça-se justiça nem que acabe o mundo e, se está no processo está no mundo e, se não está lá, não existe. Quer dizer, o juiz faz justiça e o resto não é com ele, mesmo que seja o fim do mundo, e, ele só é obrigado a saber o que está no processo, o resto também não vale. Sabendo disto, certas pessoas manobram os tribunais ao serviço de interesses inconfessáveis, indiferentes ao dano que provocam à imagem da justiça até agora respeitada embora pouco simpática (todos a querem, menos em sua casa, reza o ditado). Os juízes são indiferentes à opinião pública que tem sido apenas a que se publica (e não são a mesma coisa). Bisbilhotar o segredo dum processo e usá-lo contra um governante é espionagem, sim. E atirar a culpa disso para os agentes judiciários é revoltante pois que, não tendo estes interesses políticos, não podem ser vítimas dos que, sem escrúpulos, os usam na sua insensata e egoísta sede de poder à custa seja do que for.
Carlos Melo Bento
30 anos

O Partido Democrático do Atlântico celebrou três décadas de existência. É na história da autonomia e no reino da democracia, o partido fundado por açorianos que mais tempo durou. Pode dizer-se que não teve o êxito do Partido Autonomista de 1895 nem o do Partido Regionalista de 1925. Mas esses não tinham as leis antidemocráticas de hoje que condicionam os partidos com tais espartilhos que ponho em dúvida que Mont’Alverne ou Filomeno da Câmara tivessem sido eleitos hoje, mesmo que os outros partidos se tivessem abstido, como aconteceu com a esquerda em 1895, ou endoidecido como os Democráticos em 1925 com a designação de estranhos à nossa Terra para candidatos. A tudo acresce que antigamente não havia Tribunal Constitucional a aplicar multas completamente iníquas que tudo amedrontam nem as pessoas tão imprudentes como hoje aí estão, fascinadas pela realidade virtual das internets ou da televisão que julgam viver fora destas pobres e isoladas ilhas, quando vivem nelas, correndo riscos como nunca até aqui os açorianos correram, apesar do muito dinheiro que a Europa nos tem dado. Queira Deus que nunca nos falte esse apoio e que os eleitos do Povo exerçam os seus mandatos não para se servirem e às famílias mas para cumprirem o bem comum. Sousa Pedro, Emanuel Chichorro, Clemente de Vasconcelos, Álvaro Lemos, João Gago da Câmara, Luís Neto de Viveiros, Joaquim Cabral e José Ventura foram comigo os rostos visíveis desse desafio de sermos nós mesmos num mar de indiferença. Valeu a pena.
Carlos Melo Bento
2009-11-30

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vida pública

Será que uma figura pública tem direito a vida privada? Ou, pelo contrário, tudo o que ele fizer, à mesa, na cama ou no banho é do domínio público? O mundo mudou e nós com ele. Aquilo que seria impensável há 40 anos hoje é quase obrigação (Bob Hope com mais de 90 anos, ao deixar a Califórnia, explicou que o fazia porque a homossexualidade se tornava legal naquele estado e ele temia que se viesse a tornar obrigatória…). Teremos nós o direito de saber os segredos da vida privada do nosso presidente ou da presidente do maior partido da Oposição? Ou Carlos César e Berta Cabral têm o direito a fechar a porta das suas residências aos olhares do público? Que ela não tem direito à televisão pública quando toma posse do mais importante cargo autárquico desta região dita autónoma, parece uma evidência. Por outro lado, pode argumentar-se que, se essa vida privada tiver influência nas nossas vidas, então temos o direito de saber dos defeitos mais recônditos das duas pessoas mais importantes dos Açores de hoje. Isso tem sido admitido, por exemplo (e é razoável) quando os segredos dum político podem permitir que seja chantageado por escroques. Quando foram divulgadas as escutas de Nixon no WaterGate, a linguagem brejeira deste é que o destronou mais do que o seu envolvimento no complot, que se deu a posteriori. Mas foi o Supremo Tribunal que obrigou a essa divulgação, arredando o invocado privilégio executivo dos presidentes. Por estas bandas quem é que pode levantar esse privilégio? O presidente da junta?
Carlos Melo Bento
2009-11-24
Corrupção
Há coisas que não se percebem. Contra o que era uma tradição quase milenar, a investigação criminal começou a adoptar nomes de código para certos processos. No tempo da Guerra os beligerantes tinham a “operação” Félix e a “operação” Sea Lion etc. nós, sem guerra, inventámos a operação Apito não sei quê e a Face não sei quantas. A justiça deixou de ser a pacata senhora que no recato dos palácios de justiça cumpria. Hoje, entrou-se (em democracia!) em estado de guerra com nomes de código e tudo e a justiça tornou-se uma histérica, sequiosa de exibição, qual vedeta espaventosa que prende sem julgamento, condena sem defesa e escuta tudo e todos, incluindo, calcule-se, o Chefe do Governo! Que imagem estamos nós a dar lá fora? A ânsia de imitar o pior que há, com os comunistas, agora sem esse nome, a querer crucificar o primeiro-ministro italiano e a esquerda a querer fazer o mesmo em França com Chirac. Mas o que gostaria de sublinhar hoje, é que se está com a tal Face a querer combater a corrupção. Pois, não se sabe como, o que devia estar em segredo de justiça, transborda na comunicação social só faltando divulgar-se as páginas onde se encontram as coisas investigadas. Ora, sabendo-se que é impossível tais fugas de informação se darem autorizadamente, porque isso é crime, só resta a conclusão de que elas se dão por virtude de alguém que luta contra a corrupção e se deixa corromper, também. Por dinheiro, por militância política, seja pelo que for. Mas corromper. Oh céus! Quando é que isto pára?
Carlos Melo Bento
2009-11-17

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Espantoso

A pessoa de maior responsabilidade dum país, é o presidente do governo. Sobre ele recai o encargo de o levar a bom porto, gerindo recursos, fugindo a escolhos, superando crises, dirigindo a guerra ou gerindo a paz. Churchill e Salazar foram paradigmas disso. Num país rico, essa figura é alvo de ataques mais ou menos sistemáticos nessa coisa enfadonha da vida humana que é a luta pelo poder. Todos querem ser o macho (ou fêmea) dominante! Nixon sucumbiu, abalando para sempre o prestígio da presidência, com a agravante de ser chefe de governo e de estado. Nós, um pobre país que se julga do primeiro mundo e que ainda não o é na verdadeira acepção da palavra, divertimo-nos não só a falar mal do governo (costume antigo) mas a dar-lhe cabo da paciência, da imagem, e dele. No meio duma crise mundial de proporções gigantescas e nunca vistas, era para o timoneiro estar rodeado de respeito e de ajudas de todos os quadrantes, a ver se passávamos a tempestade sem naufragar (imagem que em país de navegadores deveria ser bem compreendida). Não senhor que um primo tal e coisa e o Vara coisa e tal. Que o curso tal que sim e que a TVI tal que não. Bom, se ele ainda tiver tempo para governar um poucochinho que seja, deve ser um génio como não há igual à face da Terra. Sócrates só? Não: Soares, Sá Carneiro, Cavaco, Guterres, Santana também levaram e não foi pouco, a ponto de morrerem ou se porem a milhas ou de fora. Se fosse uma coisa planeada por inimigos, não conseguiam melhor!
Carlos Melo Bento
2009-11-10

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Democracia e Paz

Jorge Miranda disse que o Estatuto dos Açores (autonomia e/ou independência), não tinha sido referendado porque isso entre nós perdeu credibilidade. Primeiro porque era o mesmo que referendar Monarquia e/ou República (prescrição?). Depois, porque a Constituição de 1933/74 tinha sido referendada com as abstenções a contar como votos a favor, uma desonestidade salazarista, insinuou. E o referendo da Escócia? É diferente porque já tinham sido independentes. Diferente será mas na forma como se interpreta a democracia e se aplica o regime que ela pressupõe. Tudo bem e estamos conversados. Agora o que não aceitamos é que se considere esta autonomia como o reconhecimento duma verdade social aprovada pelos destinatários. Ela é apenas aquilo que o poder central teve de conceder e foi arrancado sem anestesia, em 1975. Mais precisamente em Junho. Só não voltará atrás se não puder ser. Vejam-se as actas das Cortes quando o então Príncipe D. Pedro gritou em Ipiranga. Não mudaram nada, louvado Deus! Confessam dificuldade em determinar juridicamente o que seja Povo Açoriano, por mor do Estatuto. Está bem. Olha, é ver como se definiu Povo Português quando das independências do Ultramar. Mutatis mutandis, aprendemos os dois na mesma faculdade. Em ditadura, quem tem o poder fala em nome do povo quer ele queira ou não. Em democracia só falam em nome do povo aqueles que legitimamente lhe granjearam o voto sem subterfúgios. E para esta democracia ser legítima, carece de honestidade integral; quem a tiver, tem-na.
Carlos Melo Bento
2009-11-03

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Uma Vergonha!

O edifício do tribunal da Ribeira Grande foi construído de novo há poucos anos. Em 1964, quando me formei, já se falava na sua construção. Só agora essa velha aspiração foi concretizada. Infelizmente, porém, de forma muito atabalhoada para dizer o mínimo. Para já, construíram-no no lugar dos paços quinhentistas do antigo Pedro Rodrigues da Câmara, que governou a ilha durante a menoridade e ausência do sobrinho, fazendo daquele lugar a capital da maior e mais importante capitania insular onde toda a gente tinha de se deslocar para despacho. Sousa d’Oliveira fez ali espectaculares descobertas arqueológicas. Depois, quem ganhou o concurso para a construção foi uma empresa de fora, agora falida que deixou pendurados vários subempreiteiros de cá, levados pela confiança num empreiteiro escolhido pelo Estado. As salas de audiência parecem túmulos egípcios pois não têm uma única janela! Finalmente, o edifício está literalmente a cair aos bocados, mete água e tem as paredes rachadas e a fachada exterior isolada com uma fita do género “crime scene” dos filmes americanos porque os grandes vidros do balcão caem e podem guilhotinar alguém. Que raio de autonomia é esta que nem tem poder para fiscalizar e escolher os empreiteiros que aqui trabalham para o governo e pelos vistos nos enganam? Se o Estado não sabe governar à distância, então porque razão não são os de cá a fazer o que, cá, só nós sabemos fazer? O que é que os outros são mais que nós? Pelos vistos até são menos…
Carlos Melo Bento
2009-10-20

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Surpresas

As autárquicas surpreendem sempre. Desta vez foi Vila Franca. É verdade que nas legislativas de há dias o PS ganhou e o Dr. António Cordeiro dizia a toda a gente que ia ganhar folgado. Mas, no Nordeste, o PS também ganhou nas legislativas e perdeu nas autárquicas. Rui Melo terá defeitos mas o que transpirava era a grande obra realizada pela sua administração na velha capital que de pequena aldeia piscatória ergueu à categoria de autêntica cidade, e sem hostilizar o governo de César com quem conseguiu uma notável coabitação a favor do seu concelho. Certo que Ricardo Rodrigues, agora com prestígio nacional, apoiou o candidato socialista e não deve ter sido indiferente a influência duma família tradicional com raízes, de Ponta Garça à Vila. Acusaram Rui Melo de nepotismo e prepotência. Já não surpreendeu a vitória de Ávila na Povoação, passados anos de ausência do velho leão socialista. Quando perdeu, acusaram-no de arrogante e prepotente. Agora venceu folgadamente. Terão pensado que, mal por mal, Marquês de Pombal? Não sabemos. Ainda! Outra questão é a intervenção governamental na autonomia autárquica. O país nasceu dessa autonomia que vem do tempo dos mouros. Os reis não mandavam nos concelhos. Só lá punham os pés quando convidados. Se outro poder se imiscui nessa área viola a essência da autonomia, alicerce do viver atlântico. Há personalidades que ganham em qualquer partido (veja-se o Corvo e Flores) e isso é salutar porque manda o povo. Desvirtuá-lo é um erro, com Amaral, com César ou seja com quem for.
Carlos Melo Bento
2009-10-13

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Somam-se

Quando a República chegou em 1910, via revolucionária nunca referendada, a nossa reacção foi a de espanto. Os autonomistas que eram quase toda a intelectualidade micaelense e terceirense, tinham formação monárquica, mas a sua importância política esfumou-se. Lisboa aproveitou para tomar decisões contrárias aos nossos interesses, como a inqualificável extinção do Tribunal da Relação dos Açores. Os republicanos aqui eram uma minoria e nada pôde a maioria contra eles, dado que Lisboa os apoiava e a Família Real, desamparada, fugiu. A autonomia esperou até 1925 para se manifestar. Os desfavorecidos nada receberam do novo regime a não ser vãs esperanças de bacalhau a pataco e outras balelas inventadas pelos políticos de ocasião. Também se vivia, dizia o meu querido Pai. Mas a que preço! Vieram os adesivos que gritavam vivas a pensar na barriga e esquecendo os princípios, a moral e a ordem. Deu no que deu. Os regimes valem o que valem e, normalmente são desfeitos de dentro quando os que os fazem não conseguem defender com diligência e inteligência o interesse geral. Branqueamentos há sempre mas a verdade acaba por flutuar. Nestas eleições daremos uma lição de correcção. Berta Cabral será reeleita, penso, porque serviu com imparável dinamismo. César será respeitado como o cabeça da autonomia que soube defender e aumentar. E esses dois baluartes do nosso viver actual são fonte de progresso, credores de respeito e alicerces de poder dum Povo que quer ser respeitado. Somam-se, não se anulam.
Carlos Melo Bento
2009-10-06

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Uma esquerda de esquerda?

O eleitorado determinou maioria relativa dos socialistas e uma subida significativa dos populares, a ponto dos dois juntos formarem maioria absoluta. Os radicais BE e PCP estão minoritários. Governar assim implica ceder ou à esquerda (PCP e BE) ou à direita (PSD e PP), caso contrário, só com novas eleições o orçamento e o programa passam. Os eleitores querem que Sócrates continue, não excluem um governo com Ferreira Leite (devido ao perigo de bancarrota) nem com Portas (pela insegurança que ele certamente afastaria). Não é porém provável que Sócrates consiga fazer acordos com quem não quer ou não pode fazê-los. Coligação com o PC ou com o BE é quase impossível pois os moderados do PS nunca aceitariam ser reféns da esquerda ortodoxa e marxista nem menos da esquerda histérica e revanchista. Tem pois Sócrates um bico-de-obra sério pela frente. Uma preocupação com sentido de Estado levará a que o PS governe com cedências programáticas que satisfaçam o seu indispensável eleitorado de centro esquerda, com restrição nos gastos sobreendividantes e salvaguarda da segurança nas ruas, o que deve estar na origem da perda da maioria absoluta. Seria a solução que nos servia a nós açorianos, com um primeiro-ministro amigo com provas dadas e com uma segurança que se torna indispensável. Aguardemos.
Carlos Melo Bento
2009-09-29

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Equilíbrios

Com Guterres e Sócrates veio mais ajuda financeira para os Açores. Sá Carneiro, quando os deputados de Mota Amaral faziam a maioria da AD, e este ainda tinha aquela chama emancipalista que os obrigou a “dar mais do que queriam”, pagou. Sócrates e César (e os deles) apoiaram o Estatuto que o TC esfacelou a pedido do agora “escutado” PR, o mesmo que restringiu o orçamento açoriano e forçou Mota Amaral a sair contrariado. Estes os factos que não podemos esquecer nas escolhas que fizermos para sermos lúcidos e pragmáticos. Dir-se-ia que o governo de Lisboa ideal para nós, seria Sócrates coligado na Administração Interna e Justiça com Portas, pois a segurança nunca é a melhor qualidade da esquerda. Um ponto de equilíbrio entre o perigoso iberismo socratiano (de Espanha nem bom vento nem bom casamento) com o reformismo social da esquerda democrática e a segurança democraticamente nacionalista da direita. Uma aliança com o Bloco seria um desastre pois guinaria o PS para o radicalismo das nacionalizações e ódios fracturantes e insustentáveis dos gonçalvismos serôdios. O Bloco Central põe a democracia em perigo. A aliança com os comunistas é impensável porque afastaria do governo todos os democratas que nem querem ouvir falar na ditadura do proletariado de que o PC nunca se desfez. Aguardemos.
Carlos Melo Bento
2009-09-22

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mimados e Ricos

Estas eleições vão mudar a nossa vida e não se sente nem entusiasmo nem preocupação. Todos se queixam mas o que se vê, é que nunca se viveu tão bem. Computadores para adultos (tantos que ao lixo doméstico se deitam), casas (com “parquete” e sem “parquete”), ajudas ao desbarato com estagiários L e T e quejandos, subsídios por dá cá aquela palha e rendimentos mínimos, médios e máximos, sem conta; computadores para crianças ao preço da chuva, projectos disto e daquilo generosamente apoiados; os jovens recebem apoios para morar e para comer, os sem abrigo são alimentados e abrigados em tanta abundância que crescem lugares vazios nas casas a isso destinadas; idosos são apoiados dentro e fora dos domicílios com comidas e tratamentos; serviço de saúde como nunca com esperas que resultam apenas da multidão que acode aos hospitais. Estudantes (pobres e menos pobres) são auxiliados nas compras de material. O que se vê é os hippers cheios; quase todos com dois telemóveis de duas redes, em casas onde antes se lutava por uma côdea de pão hoje discute-se porque a conta do telemóvel ultrapassou o orçamento (que nunca se sabe quanto é); multidões a consumir droga pelos cantos (e se é cara!) que assusta. Casas com dois carros e motas, com ralis e sem ralis com “motocrosses” e sem eles. Praias (limpas e varridas diariamente) com nadadores salvadores e centenas com pranchas bem caras de “bodibordes” (onde antes havia um pobre pescador com uns óculos feitos à mão de “cambrandar” e “vrido” de janela e improvisados arpões de ferros enferrujados e torcidos à martelada em casa de cada um), criadas de servir que não dispensam cabeleireira; cruzeiros anuais ( e bi e tri…), marinas com iates de vários tamanhos, motas de água e outros (e caros) instrumentos de navegação. Jornais com dezenas de folhas subsidiadas (onde estão os de 2 e 4 páginas de antigamente?) reclamando que se deram 200 casas e não 300; televisões e antenas sofisticadas, internetes de várias velocidades, gameboys para os meninos e para as meninas (sempre esgotados) etc. obras públicas com tanta mão dobra que tem de vir de fora que a nossa não chega. Podia continuar a lista quase indefinidamente. Votar sim mas com a consciência de que as reclamações que se ouvem são as dos meninos mimados e ricos do tempo antigo.
Carlos Melo Bento
2009-09-15

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Quando quiserem

Gustavo Moura notou que os programas dos partidos pouco trazem sobre nós. Não espanta porque estamos habituados aos esquecimentos deles (só se lembram quando é para inconstitucionalizar as nossas justas pretensões; aí não há esquecimentos), e porque, agora, pela primeira vez, temos governo próprio e é a este que compete fazer os programas que nos convêm. Mas não é essa a parte do trabalho do fundador do Açoriano Oriental moderno que gostaria de comentar. O que merece o meu desacordo é a crítica à inactividade do PDA porque, diz, com isso se descredibiliza. Fundámos o PDA há trinta anos, mantivemo-lo vivo contra tudo e contra todos (de dentro e de fora). Confrontámo-nos com um confrangedor desprezo do eleitorado que preferiu até ter como deputado seu um estranho a esta ilha e seu inimigo declarado, do que votar em um de nós, causando-nos com isso uma dor indescritível e só continuamos porque o amor à nossa gente não depende dela. Existe. Cansa, dói, mas existe. Sem limites e sem condições. Foram 30 anos de frustração e incompreensões. Só quando nos coligámos com o partido socialista conseguimos ter um vereador em Ponta Delgada. Herdeiros legítimos dos partidos autonomistas, fomos difamados de ricos (!) e fascistas (!!!). Sobrevivemos. Pedir mais é demais. Quando quiserem digam.
Carlos Melo Bento
2009-09-08

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Nada

Nada
Penso muita vez que S. Miguel teve importância devido a terem existido famílias com fortunas cujos membros mais cultos e inteligentes se dedicaram à política, economia, finanças, cultura, benemerência, etc. Em tudo, os micaelenses deram cartas e contribuíram decisivamente para o progresso, a ponto de, durante tempos, Ponta Delgada ser a terceira cidade do país. O melhor exemplo foi em 1895, quando, sem temerem retaliações, o líder dos conservadores se recusou a opor-se aos autonomistas, o dos progressistas, se autonomizou e os autonomistas venceram. Hoje, as circunstâncias são outras e embora factores novos e alheios à nossa actividade e a Lisboa, tenham derramado progresso material que tanto ajudou a levantar o nível de vida das classes pobres, e não só delas, a verdade é que já não há gente rica, apesar de termos economia de mercado, e poderosos teremos duas pessoas. Uma, o Presidente Carlos César e outra a Presidente Berta Cabral. Todavia um e outro serão sempre transitórios e condicionados a uma opinião pública formada noutros azimutes, alheia aos seus próprios problemas, iludida com os dos outros. Sem particulares poderosos, seremos sempre manietáveis pobretanas sem capacidade de existir por si. Bancos, seguros, fábricas, inovação, tudo nos escapa. Ou o Estado ou nada.
Carlos Melo Bento
2009-09-01

sábado, 29 de agosto de 2009

Revoltados

minha terra vulcânica e verde
De criptomérias altas, lendas encantadas
- meu chão de Açores meu leito de azáleas
Victor Meireles, 1976

Neste Verão esquisito não é fácil dizer alguma coisa que não seja este grito de alma do maior poeta açoriano vivo. Ouvi, sem acreditar, as palavras sentidas do presidente do Capelense, magoado com uma qualquer Federação não sei bem de quê que, perante uma atitude de facciosa sentença, sistematicamente a favor dos de lá contra os de cá, teve uma reacção que me deixou atónito: - “Já estamos habituados”. Habituados, presidente? Habituados a quê, a ser desprezados por quem não tem categoria nenhuma? É no desporto e é em qualquer outra coisa. Habituados? Mas desde quando é que pessoas de carácter se habituam a injustiças? Saia dessa Federação e bata-lhes com a porta nas ventas, Presidente e não nos envergonhe com atitudes de subserviência que não só dão um exemplo a não imitar como são a demonstração do que há de mais reprovável na nossa maneira de ser. Respeitamos toda a gente, menos aqueles que não nos respeitam. Sejam eles quem forem. Senão não vale a pena viver. Pelo menos assim! Para eles tudo para nós nada? Pois então que vão à vida deles que nós vamos à nossa. Que herança queremos nós deixar aos nossos filhos? Acomodados escravos? Ou revoltados homens livres?
Carlos Melo Bento
2009-08-25

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A Censura

Seja por interesses económicos ou políticos, por inveja, ciúme ou simples calculismo, a censura é uma coisa feia, deprimente e enxovalha quem a faz porque mostra a mesquinhez do seu espírito, mostra medo e cobardia e denuncia a incapacidade mental de quem a pratica para compreender a liberdade alheia, de expressão entenda-se, pois não refiro a censura que se faz por alguém cometer um crime ou acto reprovável. O censor no geral é burro, não no sentido de ser semelhante ao asno, ou assinus burrus dos romanos, útil animal de carga que durante milénios serviu o homem e conduziu o Salvador, no Domingo de Ramos, a Jerusalém no meio dos hossanas. Refiro-me ao burro, burro, àquele indivíduo que dentro da cabeça só tem vácuo e um neurónio deficiente e solitário, deprimido na sua idiotice irreversível. E na sua imensa estupidez, o censor corta porque lhe mandam e pagam para isso, no que não passa de reles lacaio, sem talento e sem futuro. Ou corta pensando que, suprime o censurado do mundo dos vivos, o que lhe dá a sensação de que quem tem talento é ele, porque apaga e elimina os que, se comparados com ele, lhe põem à mostra a irremediável burrice. Pobre diabo, side efect do prepotente que o conduz ou efeito adequado da sua pequenez mental. O meu blog onde ele não corta é carlosmelobentoblogspot.com.
Carlos Melo Bento
2009-08-10

O Suicídio das instituições

A frase não é minha mas parece suficientemente clara para exprimir a situação face ao curioso acórdão do Tribunal Constitucional que chumbou parte substancial do nosso Estatuto. Já esta autonomia é o que é, castrada lhe chamei em 75, mas parece que nem assim os algozes se satisfazem. Agora, numa interpretação mais que estranha (para não dizer tecnicamente errada e inconstitucional), vêm os Venerandos Conselheiros dar apoio à visão centralista do Presidente Cavaco Silva, nos medos do lobo em relação ao capuchinho vermelho. Castrada e inofensiva e ainda assim…Bom, mas a questão que gostaria de partilhar não é essa. O Estatuto agora violentado foi aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa, a única que se proclama legítima representante do Povo Açoriano. Considerado este inconstitucional, não sei verdadeiramente o quê ou quem representa. Mas, ainda assim, tem de haver uma reacção ao dislate do areópago político português. Se as instituições não produzem o que devem, correm para o suicídio e desaparecimento. O único representante do Povo Açoriano que até agora disse alguma coisa de jeito sobre o assunto foi o Dr. Ricardo Rodrigues mas esse é deputado da Assembleia da República, representante do Povo Português, ainda não considerado inconstitucional (para lá se caminha!). E os outros?
Carlos Melo Bento
2009-08-18

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O nosso superior interesse

O superior interesse dos Açores e dos Açorianos que é, obviamente, o nosso escopo fundamental, impõe a todos uma atitude de firmeza e coerência inabaláveis. Só nós podemos defender devidamente o nosso interesse e o dos nossos filhos como deve ser. Não há luta de classes nem ideologias nem governos alheios nem estadistas de opereta que nos possam substituir na luta permanente pela nossa realização como povo. A canção do bandido pode ser aliciante e até bela mas não podemos esquecer que não passa duma canção e que o compositor não passa disso mesmo. A nós compete estudar com cuidado os problemas e defender com fé as soluções que encontrarmos para os resolver. Ensina a nossa História que a unidade na provação nos dá força e invencibilidade. Àqueles que quiserem ficar nela como verdadeiros açorianos e não como traidores repelentes, hão-de juntar-se aos que de boa fé defendem bem os nossos interesses colectivos. Aos que se submeterem ao inimigo pelo vil interesse da ambição pessoal, haveremos de desprezar com indignação. Ponham de lado lucros mesquinhos e imediatos, repilam subornos disfarçados de prebendas e benesses sem justificação adequada; de que serve vencerem uma batalha com ajuda duvidosa de terceiros se perderem a guerra que nós vamos ganhar porque amamos quem nos pertence e servimos?
Carlos Melo Bento
2009-08-04

terça-feira, 21 de julho de 2009

Coisa Estranha

Como era de esperar, começaram a aparecer na imprensa do costume revelações que dão a entender que o Tribunal Constitucional vai chumbar mais normas do Estatuto aprovado unanimemente pelos órgãos representativos do Povo Açoriano. Esta é porém uma questão que levanta alguns problemas. O primeiro é saber como é que esses órgãos de comunicação social têm conhecimento dum processo que talvez não esteja em segredo de justiça, é certo, mas que se saiba, não foi objecto de nenhuma conferência de imprensa que divulgasse o pensamento, as razões e as decisões dos conselheiros constitucionais no chumbo que agora se anuncia. Isto no mínimo é deselegante. No máximo, cheira a cabala de quem deveria proceder de outra maneira, pois quer-me parecer que o Estado de que os tribunais são parte integrante e importante, se se proclama pessoa de bem, tem de o ser. Que aquela comunicação social se aproveite das fugas de informação já é pouco ético, mas aí as atitudes ficam com quem as pratica e valem o que valem. Agora que ao nível dum órgão de cúpula do poder judicial se permitam fugas de informação dum Estatuto que rege o destino dum povo inteiro que pode não caber na Constituição de 1976 mas que cabe certamente no coração dos açorianos de lei, é que é coisa estranha, inqualificável e certamente condenável.
Carlos Melo Bento
2009-07-21

Posturas

Com emoção assistiu-se à triunfal recepção a Craig de Mello proporcionada por quem de direito rematada por inesquecível recepção no Teatro Micaelense em que o ilustre visitante proferiu conferência de alto nível científico explicativa da tese que o levou a Estocolmo e receber o mais importante e prestigiado galardão do mundo. Um sistema de tradução simultânea diligentemente distribuído aos convidados, ajudava a perceber o que aquele bisneto de uns pobres emigrantes da Maia e hoje príncipe da ciência, dizia, em inglês. Seu bisavô, se vive fosse, também usaria o aparelho. Foi das cenas que mais emocionantes o ver, na América, uma avó falar com um neto ainda criança e este responder-lhe apenas em inglês que ela não percebia. Só o amor os unia mas, ainda assim, a barreira era tremenda e traduzia o drama de quantos a emigração espalhou irremediavelmente. Mas a questão aqui é outra: um dos nossos conseguiu o Nobel. Dêem-nos terreno que o cultivamos. Somos bons como os melhores e se na nossa terra não conseguimos vencer, a culpa não é só nossa. A recepção foi triunfal, bem preparada e digna de quem a fez e de quem a recebeu. Algumas ausências inexplicáveis. Oxalá que no calor das lutas eleitorais não se pise o risco com posturas fracturantes de efeitos irreversíveis. Somos tão poucos que desunidos de nada valemos.
Carlos Melo Bento
2009-07-14